Retiro espiritual pelo Caminho da Fé

São aproximadamente 15 dias de caminhada amparados pela fé ou pelo encontro consigo mesmo.

nspirado no Caminho de Santiago da Compostela (Espanha), o Caminho da Fé é uma busca introspectiva por anseios pessoais, muitas pessoas vão como pagadoras de promessas, outras para atingir certo nível de reflexão, ou para benefícios da saúde física e mental. O trajeto corta parte dos estados de Minas Gerais e São Paulo, com saídas por várias cidades, o ponto final é o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte, interior de São Paulo.

Os 948Km totais de extensão, considerando as 36 cidades ramais pelas quais a peregrinação passa, já somam mais de 3mil caminhantes por ano. Cada um com suas moderadas mochilas de necessidades nas costas e muita bagagem nos ombros. Das histórias, ouve-se de tudo, mas a maioria é guiada pela fé. Durante os 15 ou 20 dias de caminhada as bolhas e as dores nos pés são inevitáveis, mas é comum encontrar casas de desconhecidos, sítios e fazendas abertas para o acolhimento de pessoas cansadas, ou para ceder um copo d’água aos trilheiros. Aliás, desta atitude dos moradores ajudarem os peregrinos é que surgiram muitas pousadas ao longo da rota. 

A Serra da Mantiqueira é a responsável pela paisagem por grande parte do caminho, as estradas de terra dão o clima quase bucólico que incentiva a reflexão e o recolhimento dentro de si. Há quem faça o trajeto de bicicleta ou cavalo, muitos grupos saem à cavalgada pela estrada afora. A capela de São Benedito, em Cravinhos, é uma das paradas indispensáveis, assim como outras dezenas de capelas, santuários e casas antigas pelo estrada que chama a atenção pela sua arquitetura e história. 

Os grupos podem ser formados em agências de turismo locais ou a pessoa pode fazer o trajeto sozinha, uma credencial de peregrino é retirada nas agências e para seguir a trilha é só seguir as setas amarelas. A beleza visual que acompanha o viajante é singular, é possível atravessar fazendas inteiras, trilhos de trem, alguns pedaços de estrada asfaltada e por áreas urbanizadas também surgem dependendo do trecho. Saindo de Tambaú, por exemplo, é possível passar até por trilhas em mata fechada, os cafezais e as fazendas de cana-de açúcar são comuns em diversos dos trechos. A cidade de Tambaú é considerada o marco zero do Caminho da Fé. Esta peregrinação é democrática, não considera idade, classe social ou gêneros, desde jovens até idosos se encontram em algum ponto e seguem dividindo suas experiências de vida.  

Dizem os cantos populares quem só quem fez o caminho, quem deu o primeiro passo, seja por aventura, pela fé ou por conhecimento, consegue entender os ensinamentos que se aprende ao longo da peregrinação. A experiência é tão emocionante que existem diversos relatos em livros, documentários e nos encontros familiares de peregrinos tentando dividir um pouco ao menos da sabedoria concentrada depois de concluir o percurso. A Basílica de Nossa Senhora Aparecida, que marca o final do Caminho da Fé, é o maior santuário católico do Brasil e o segundo maior templo católico do mundo, ficando atrás de Basílica de São Pedro, no Vaticano. Todo ano, mais de 12 milhões de fiéis levam sus preces e agradecimentos de vários cantos do mundo. E para os que concluíram as semanas de caminhadas pelo Caminho da Fé, é revigorante e fortalecedor dar como cumprida a missão.

Luiza Souza

Basílica de NS Aparecida

Pé na Estrada