Mochilão aos 60 anos

Conheça o caso de uma professora que resolveu, aos 60 anos, conhecer a Europa de forma independente

Indo contra a maré dos padrões por faixa etária, a professora Vilma Labisnk resolveu que ao completar 60 anos de idade se presentearia com um mochilão pela Europa, um sonho adiado e segundo ela mesma, realizado na hora certa. Seu companheiro de viagem foi o marido, Carlos Labisnk, 63 anos, também professor. Existem diversas razões pelas quais as pessoas optam por este tipo de viagem, independente, sem vínculo com agências de turismo, mas é certo que o mundo olha para este tipo de roteiro com certa prevalência por jovens aventureiros e que não se importam em dividir albergues e banheiros nem tão limpos. Vilma pode provar na pele, por quase 30 dias, que a maturidade, juntamente com a vontade de viver e o espírito jovem são uma fórmula infalível para completar uma trip independente, com sabedoria, conforto e segurança. 

Porque optou pelo mochilão ao invés de contratar uma agência de turismo? 

Um dos principais motivos foi a questão financeira. Fiz diversos orçamentos para o roteiro que pretendíamos realizar, e sem dúvidas viajar por conta própria, saiu bem mais barato. Também levei em conta minha vontade própria, quando era jovem meu sonho era sair pelo mundo andando de país em país, vivendo culturas diferentes, conhecendo pessoas, mas nunca tive tempo e oportunidade, pois trabalhei muito e tive que me dedicar à família, não conseguiria deixar meus filhos em casa para realizar um sonho pessoal, mas hoje são adultos, casados e meu marido e eu, adoramos viajar, passear, pensamos... “porque não? Vamos nos arriscar!”. O desafio foi tentador e decisivo. 

Como escolheram o roteiro? Quais os critérios, em relação a idiomas, culturas, estilo de viagem?

Certamente o idioma falado nos países que queríamos conhecer foram considerados, mas por fim, não nos impediu de chegarmos à Turquia, por exemplo. Nenhum de nós dois fala fluentemente outro idioma, mas meu marido se vira bem com o inglês e isso foi bom, sem dúvidas. Fizemos o trajeto começando pela Itália, ficamos mais tempo por lá, pois era meu objetivo maior, conheci mais de 10 cidades em 15 dias no país, foi incrível e inesquecível, depois pegamos um avião pequeno (tudo agendado e programado daqui do Brasil, com mais de seis meses de antecedência), e fomos para a Áustria, depois Grécia e por fim, Turquia. O roteiro foi baseado no que realmente gostaríamos de ver e viver, por isso não escolhemos países como França e Inglaterra, acho que não me interessa tanto quando a Grécia e Viena, a escolha foi muito mais pessoal e honesta comigo do que eu teria feito há anos atrás. 

Como foram as hospedagens? O conforto neste tipo de viagem é possível?     

Sim, é totalmente possível e acessível. Até cogitamos ficar em um albergue na Itália, mas pesquisamos e achamos que era focado em jovens, festas e a única exigência que eu tinha com esse mochilão era não dividir banheiro. Então descobrimos os B&B (Bed and Breakfast), um tipo de acomodação bem mais em conta que hotel, porém oferece banheiros e quartos individuais, e café da manhã razoável, com frutas, pães, frios e comidas locais, basicamente é um hotel, só que num prédio comum onde você pega a chave na portaria. Valeu a pena, economizamos bastante e tínhamos privacidade com higiene. 

Quais os prós e os contra do mochilão? Qual será sua próxima viagem?   

Bom, tem os contra, sim. Carregar mochila nas costas, por exemplo, foi bem ruim e incômodo. Também acho que em certa fase da vida temos que aproveitar certos confortos e comodidades, afinal, os limites existem e temos que respeitá-los, apensar de ter bastante energia, fazer atividade físicas e me alimentar bem, não tenho mais a coluna de 30 anos atrás (risos). Às vezes pensava que queria chegar a noite, depois de um dia de caminhada e deitar na cama de um hotel luxuoso, mas aí percebia a grande vantagem de se ter sabedoria e calma, pois logo em seguida, eu olhei para meu marido e disse: “ Oras, nossa próxima viagem será para um hotel luxuoso…porque não!?”. Mas a experiência foi, de uma forma, geral, incrível, tirando esta parte de cansaço, conheci coisas que com a agência de turismo não teria conhecido, me senti livre e jovem, demos muitas risadas, tomamos cerveja durante o dia e a noite, foi completamente fabulosa nossa viagem, faria de novo, sem dúvidas, do jeito que foi. Agora estamos planejando conhecer os Estados Unidos, começando por um confortável hotel em Nova York (risos)!

Luiza Souza

Uzun Carsi,HATAY, Turquia

Pé na Estrada